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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Dia do Livro Infantil e Monteiro Lobato



Em 18 de Abril é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil.

Esta data foi escolhida por ser o aniversário de José Bento Monteiro Lobato, o primeiro autor infantil brasileiro.

Antes dele, as histórias para as crianças eram traduzidas.

Monteiro Lobato criou enredos que encantam os pequenos até hoje e o mais famoso deles é o Sítio do Pica-Pau Amarelo.



OBJETIVO GERAL:



-Aproximar as crianças do universo da literatura infantil, promovendo e incentivando a leitura com uma visão alegre sobre a vida e as obras de Monteiro Lobato.



OBJETIVOS ESPECÍFICOS:


- Comemorar a data de nascimento de Monteiro Lobato, lembrando o quanto seu trabalho se perpetua na literatura brasileira;

- Divulgar as obras e os personagens criados por Monteiro Lobato através da contação de histórias para os alunos da Educação Infantil;

- Incentivar a leitura e a criatividade através de manifestações artísticas;

- Promover a integração de alunos, professores e coordenação com a biblioteca;

- Proporcionar uma visão descontraída do saber, desenvolvendo a capacidade artística e cultural de cada aluno;

- Estimular a exposição de trabalhos, bem como, divulgar as atividades realizadas em sala de aula;

- Promover a leitura e a escrita.



"Um país se faz com homens e livros".

Monteiro Lobato



O desenvolvimento de atividades relacionadas ao dia do escritor e ao dia do livro reside, sem dúvida, na importância das informações e no prazer que a leitura proporciona a todos. Relacionar essas duas datas é bastante adequado, uma vez que o livro não existe sem o escritor.

O Dia Nacional do Livro é comemorado em 29 de outubro. Essa data foi escolhida para a comemoração, considerando-se a data da fundação da Biblioteca Nacional (29/10/1810), por D. João VI. O grande acontecimento permitiu a popularização do livro, tornando mais fácil o acesso à leitura.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Fantoches... Menina Bonita do Laco de Fita


MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA

(Ana Maria Machado)

Era uma vez uma menina linda, linda.Os olhos pareciam duas azeitonas pretas brilhantes, os cabelos enroladinhos e bem negros.Apele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra na chuva.Ainda por cima, a mãe gostava de fazer trancinhas no cabelo dela e enfeitar com laços de fita coloridas. Ela ficava parecendo uma princesa das terras da áfrica, ou uma fada do Reino do Luar.E, havia um coelho bem branquinho, com olhos vermelhos e focinho nervoso sempre tremelicando. O coelho achava a menina a pessoa mais linda que ele tinha visto na vida.E pensava:- Ah, quando eu casar quero ter uma filha pretinha e linda que nem ela...Por isso, um dia ele foi até a casa da menina e perguntou:- Menina bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?A menina não sabia, mas inventou:­- Ah deve ser porque eu caí na tinta preta quando era pequenina...O coelho saiu dali, procurou uma lata de tinta preta e tomou banho nela. Ficou bem negro, todo contente. Mas aí veio uma chuva e lavou todo aquele pretume, ele ficou branco outra vez.Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:- Menina bonita do laço de fita, qual é o seu segredo para ser tão pretinha?A menina não sabia, mas inventou:- Ah, deve ser porque eu tomei muito café quando era pequenina.O coelho saiu dali e tomou tanto café que perdeu o sono e passou a noite toda fazendo xixi. Mas não ficou nada preto.- Menina bonita do laço de fita, qual o teu segredo para ser tão pretinha?A menina não sabia, mas inventou:­- Ah, deve ser porque eu comi muita jabuticaba quando era pequenina.O coelho saiu dali e se empanturrou de jabuticaba até ficar pesadão, sem conseguir sair do lugar. O máximo que conseguiu foi fazer muito cocozinho preto e redondo feito jabuticaba. Mas não ficou nada preto.Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:- Menina bonita do laço de fita, qual é teu segredo pra ser tão pretinha?A menina não sabia e... Já ia inventando outra coisa, uma história de feijoada, quando a mãe dela que era uma mulata linda e risonha, resolveu se meter e disse:- Artes de uma avó preta que ela tinha...Aí o coelho, que era bobinho, mas nem tanto, viu que a mãe da menina devia estar mesmo dizendo a verdade, porque a gente se parece sempre é com os pais, os tios, os avós e até com os parentes tortos.E se ele queria ter uma filha pretinha e linda que nem a menina, tinha era que procurar uma coelha preta para casar.Não precisou procurar muito. Logo encontrou uma coelhinha escura como a noite, que achava aquele coelho branco uma graça.Foram namorando, casando e tiveram uma ninhada de filhotes, que coelho quando desanda a ter filhote não para mais! Tinha coelhos de todas as cores: branco, branco malhado de preto, preto malhado de branco e até uma coelha bem pretinha. Já se sabe, afilhada da tal menina bonita que morava na casa ao lado.E quando a coelhinha saía de laço colorido no pescoço sempre encontrava alguém que perguntava:
- Coelha bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?E ela respondia:
- Conselhos da mãe da minha madrinha...


Com a palavra, Ana Maria:


“Este livro, para mim, é uma história que surgiu a partir de uma brincadeira que eu fazia com minha filha recém-nascida de meu segundo casamento. Seu pai, de ascendência italiana, tem a pele muito mais clara do que a minha e a de meu primeiro marido. Portanto, meus dois filhos mais velhos, Rodrigo e Pedro, são mais morenos que Luísa. Quando ela nasceu, ganhou um coelhinho branco de pelúcia. Até uns dez meses de idade, Luísa quase não tinha cabelo e eu costumava por um lacinho de fita na cabeça dela quando íamos passear, para ficar com cara de menina. Como era muito clarinha, eu brincava com ela, provocando risadas com o coelhinho que lhe fazia cócegas de leve na barriga, e perguntava (eu fazia uma voz engraçada): “Menina bonita do laço de fita, qual o segredo para ser tão branquinha?” E com outra voz, enquanto ela estava rindo, eu e seus irmãos íamos respondendo o que ia dando na telha: é por que caí no leite, porque comi arroz demais, porque me pintei com giz etc. No fim, outra voz, mais grossa dizia algo do tipo: “Não, nada disso, foi uma avó italiana que deu carne e osso para ela...” Os irmãos riam muito, ela ria, era divertido. Um dia, ouvindo isso, o pai dela (que é músico) disse que tínhamos quase pronta uma canção com essa brincadeira, ou uma história, e que eu devia escrever. Gostei da idéia, mas achei que o tema de uma menina linda e loura, ou da Branca de Neve, já estava gasto demais. E nem tem nada a ver com a realidade do Brasil. Então a transformei numa pretinha, e fiz as mudanças necessárias: a tinta preta, as jabuticabas, o café, o feijão preto etc.

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SEMANA DA LEITURA COM MEUS PEQUENOS!







quarta-feira, 15 de abril de 2009

O livro de Ana Maria Machado que é uma fantástica viagem à Literatura Infantil e Juvenil


Literatura infantil e juvenil:

Os clássicos da literatura universal


Que livro oferecer para as crianças e jovens de hoje?

Com tantas opções no mercado editorial, pais e professores às vezes se sentem perdidos. Acabam, muitas vezes, comprando ou indicando os últimos lançamentos para atrair a criança e o jovem para o universo literário. Será mesmo que essa é a melhor opção?

É claro que crianças e jovens podem se deliciar com vários lançamentos à venda em livrarias de todo o Brasil. As editoras têm lançado excelentes livros de literatura infantil e juvenil. Mas por que não os grandes clássicos da literatura universal?

Será que os antigos livros que já fazem parte do cânone literário e do imaginário coletivo não podem ser objetos de prazer?

O livro Como e por que ler os clássicos universais desde cedo (Editora Objetiva, 2002 - 145 páginas) de Ana Maria Machado responde a todas essas perguntas. Além disso, o livro é uma fascinante viagem pelos grandes clássicos da literatura mundial que podem ser aventuras inesquecíveis para crianças e jovens de hoje.

Desde os clássicos gregos, passando pelas aventuras dos cavaleiros da Idade Média até à que é chamada "A Idade de Ouro da Literatura Infantil" (segunda metade do Século XIX até a Primeira Guerra Mundial) o livro indica as melhores obras, as boas adaptações e importância dessas grandes obras.É uma verdadeira viagem pelas antigas histórias que não perdem nunca seu fascínio.

Lendo o livro de Ana Maria Machado, o adulto leitor relembra as grandes aventuras que leu na infância e na adolescência e um sorriso escapa em seus lábios.

A leitura pode ser uma verdadeira viagem em qualquer idade. Negar às crianças de hoje o acesso às maravilhosas histórias que já foram escritas é um crime. Além disso, o que já foi contado há séculos reaparece de muitas formas nas histórias atuais.

A leitura intertextual só é possível se o leitor tiver conhecimento dessa leitura clássica.Ana Maria Machado, que tornou-se a primeira autora infanto-juvenil a fazer parte da Academia Brasileira de Letras (sua posse foi em maio de 2003), não faz um guia do que se deve ler ou um compêndio das leituras obrigatórios de um bom leitor.

Esse livro é uma viagem (como a própria capa já anuncia) aos textos que podem servir de barquinho para o jovem leitor realizar fantásticas viagens a antigos e novos mundos ou viagens ao interior do ser humano. Mas esse barquinho não serve apenas para crianças e jovens, afinal quem já é adulto e não teve oportunidade de ter acesso a esses clássicos, pode encontrar nesse livro de Ana Maria Machado um incentivo para grandes leituras.

É só deixar de lado o preconceito (que muita gente tem aos livros "de criança" até hoje!) e lembrar que literatura é uma arte independente de idade ou faixa etária.

Uma grande obra literária infantil ou juvenil encanta leitores de qualquer idade.

Quer mais viagens?


Visite o site de Ana Maria Machado: http://www.anamariamachado.com/

O Leitor: Concepção de Infância


Para pensar a literatura infantil é necessário pensar no seu leitor: a criança. Até o Século XVII as crianças convviam igualmente com os adultos, não havia um mundo infantil, diferente e separado, ou uma visão especial da infância. Não se escrevia, portanto, para as crianças.
"...a concepção de uma faixa etária diferenciada, com interesses próprios e necessitando de uma formação específica, só acontece em meio à Idade Moderna. Esta mudança se deveu a outro acontecimento da época: a emergência de uma nova noção de família, centrada não mais em amplas relações de parentesco, mas num núcleo unicelular, preocupado em manter sua privacidade (impedindo a intervenção dos parentes em seus negócios internos) e estimular o afeto entre seus membros" 1
A partir da Idade Moderna a criança é vista como um indivíduo que precisa de atenção especial e cuja é demarcada pela idade. O adulto passa a idealizar a infância. A criança é o indivíduo inocente e dependente do adulto devido à sua falta de experiência da realidade. Até hoje muitos ainda têm essa concepção da infância como o espaço da alegria, da inocência e da falta de domínio da realidade. Os livros qeu trazem essa concepção são escritos, então, com o objetivo de educar e de ajudar as crianças a enfrentar a realidade. A partir da Psicologia da Aprendizagem a infância é tratada como uma etapa de preparação do pensamento para a vida adulta. O pensamento infantil não tem ainda uma lógica racional. A literatura infantil é, nesta concepção, adequada às fases do raciocínio infantil (que é dividido em idade cronológica). Essas duas concepções de infância convivem até hoje e podemos vê-las até no modo como os livros são selecionados e catalogados pelas editoras. No entanto, uma outra concepção de infância tem sido defendida e com ela uma nova postura da literatura infantil. É preciso entender que a criança é também cheia de conflitos, medos, dúvidas e contradições não por desconhecer a realidade, mas por trazer em si a imagem projetada do adulto:
"Se a imagem da criança é contraditória, é precisamente porque o adulto e a sociedade nela projetam, ao mesmo tempo, suas aspirações e repulsas. A imagem da criança é, assim, o reflexo do que o adulto e a sociedade pensam de si mesmos. Mas este reflexo não é ilusão; tende, ao contrário, a tornar-se realidade. Com efeito, a representação da criança assim elaborada transforma-se, pouco a pouco, em realidade da criança. Esta dirige certas exigências ao adulto e à sociedade, em função de suas necessidades essenciais"2
Quanto ao seu desenvolvimento cognitivo, a ênfase não pode ser naquilo que a criança ainda não dá conta, mas sim naquilo que só ela é capaz de fazer.
"Se lhe falta a completa capacidade abstrativa que a capacite para as complexas redes analítico-conceituais, sobra-lhe espaço para a vasta mente instintiva, pré-lógica, inclusiva, integral e instantânea que só opera por semelhanças, correspondências entre formas, descobrindo vínculos de similitude entre elementos que a lógica racional condicionou a separar e a excluir. Correspondências, sinestesias. Todos os sentidos incluídos."3
Uma literatura que tenha essa concepção de infância vai, então, privilegiar "o lado espontâneo, intuitivo, analógico e concreto da natureza humana"4 e ver seu leitor como um ser de desejos e pensamentos próprios.
"...os projetos mais arrojados de literatura infantil investem, não escamoteando o literário, nem o facilitando, mas enfrentando sua qualidade artística e oferecendo os melhores produtos possíveis ao repertório infantil, que tem a competência necessária para traduzi-lo pelo desempenho de uma leitura múltipla e diversificada."5
Partindo dessa visão dá para entender a vertente que entende a literatura infantil como um estilo literário (dominante estilística), pois o objetivo não é falar para uma de terminada faixa etária, mas trabalhar o texto para preencher desejos que existem em todos os seres humanos.

Citações:
1 - ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global Ed., 4ª ed., 1985. (página 13)
2 - ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global Ed., 4ª ed., 1985. (página 18)
3 - PALO, Mª José e OLIVEIRA, Mª Rosa D. Literatura Infantil - Voz de criança. SP: Ática, 1986. (pág.7)
4 - PALO, Mª José e OLIVEIRA, Mª Rosa D. Literatura Infantil - Voz de criança. SP: Ática, 1986. (pág.8)
5 - PALO, Mª José e OLIVEIRA, Mª Rosa D. Literatura Infantil - Voz de criança. SP: Ática, 1986. (pág.11)

LITERATURA INFANTIL


O Conceito de Literatura Infantil


O conceito de Literatura Infantil é bastante discutido entre os estudiosos do assunto. Há aqueles que defendem que é o objeto escolhido pelo seu próprio leitor, outros que é o objeto de formação de um agente transformador da sociedade e há até aqueles que questionam o fato de existir uma literatura infantil ou dela ser uma questão de estilo. Temos abaixo algumas dessas idéias e também declarações de autores de literatura infantil para percebemos como essa é uma área conflitosa. Ver o objeto a partir de vários pontos de vistas pode nos ajudar a entender melhor e formularmos nosso próprio conceito.


"Literatura Infantil é todo o acervo literário eleito pela criança"

(Bárbara Vasconcelos Bahia)


"Literatura Infantil são os livros que têm a capacidade de provocar a emoção, o prazer, o entretenimento, a fantasia, a identificação e o interesse da criançada."
(Leo Cunha)


"A literatura, e em especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta sociedade em transformação: a de servir como agente de formação, seja no espontâneo convívio leitor/livro, seja no diálogo leitor/texto estimulado pela escola"

(Nelly Novaes Coelho)


"O gênero literatura infantil tem, a meu ver, a existência duvidosa. Haverá música infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária deixa de se constituir alimento para o espírito da criança ou jovem e se dirige ao espírito adulto? "
(Carlos Drummond de Andrade)


"Se a falta é estrutural, e se não se vive sem a base fantasmática (o infantil que se atualiza), não seria possível afirmar que, em toda literatura, há esse infantil, ainda que menos ou mais encoberto? O infantil na literatura, que não se confunde, certamente, com a Literatura Infantil, tampouco com relatos de infância. Na particularidade de cada novo ato, a criança é quem escreve no adulto. E ela o faz com estilo - assinatura pontual, estilo portador de sujeito"

(Ana Maria Clark Peres)


"Escrevo porque gosto. Com meus textos, quero botar para fora algo que não consigo deixar dentro. E escrevo para criança porque tenho uma certa afinidade de linguagem. Mas não tenho intenção didática, não quero transmitir nenhuma mensagem, não sou telegrafista. Acredito que a função da obra literária é criar um momento de beleza através da palavra. ... Em momento algum eu acho que a linguagem deva ser simplificada. Em meus livros não há condescendência, tatibitate nem barateamento da linguagem. A colocação dos pronomes é consciente, a regência e a concordância são rigorosas. As rupturas são intencionais, têm uma função estilística. Acho essencial dominar uma gramática para domá-la a partir de uma linguagem nova."
(Ana Maria Machado)


"Escrevo para dizer o que penso. Quero reclamar de governos autoritários. Quero mostrar a existência de desigualdade entre o homem e a mulher. Não fujo muito de temas que, supostamente, não pertencem ao universo infantil. Acho que todo mundo é capaz de aprender."

(Ruth Rocha)

A ARTE DOS LIVROS SEM TEXTO


Os atuais livros sem texto, também chamados livros de imagens, tem encantado crianças e adultos devido à qualidade artística que eles apresentam. É uma verdadeira aventura abrir esses livros pois as imagens nos encantam, nos deixam curiosos e nos fazem refletir. Além disso, os livros sem texto proporcionam a possibilidade de um novo olhar, isto é, um olhar mais atento a coisas que às vezes já nem damos atenção, ou então imagens de perspectivas que nunca imaginaríamos.
Vivendo num mundo cada vez mais visual em que somos "atingidos" por imagens a todo instante, despertar e sensibilizar o olhar para os detalhes é uma forma de tornar o leitor mais atento ao mundo em que vive. E também mais questionador. Proporcionar às crianças desde pequenas o contato com esses livros é potencializar a aprendizagem da leitura das imagens. Isso mesmo. Também aprendemos a "ler imagens". Cada vez mais a qualidade das ilustrações ganha peso nos livros infantis e vários ilustradores tornaram-se famosos e ganham prêmios literários no mundo inteiro. É o caso de Ângela Lago. Os livros ilustrados por ela (com e sem texto) já são referências no cenário nacional.
Na hora de escolher um bom livro de imagens não vale apenas achar as ilustrações "bonitas". É necessário que haja um projeto literário e artístico para que esses livros possam despertar verdadeiramente o leitor que não precisa ser necessariamente a criança.

Abaixo algumas sugestões:

Maurício Veneza - Editora Compor
- O piquenique de Nique e Pique
- O dragão e o cavaleiro do jeito que a princesa contou
- Chapeuzinho Vermelho do jeito que o lobo contou
- A princesa e o sapo do jeito que o príncipe contou

Mário Vale - Editora Expressão
- "A árvore fantasma" e "Peixinho"
Regina Coeli Rennó
- Pela porta do coração (Ed. FTD)
- Que planeta é esse? (Ed. FTD)- O sabor da maçã (Ed. FTD) - Gato de papel (Ed. Lê) - História de amor (Ed. Lê)

Regina Siguemoto Martinez - Editora Paulinas
- A casa
- O buraco- O tempo- A coisa

Semíramis Paterno - Editora Lê
- A viagem
- Vida moderna
- A cor da vida

Eva Furnari - Editora Paulinas
- Por um fio- Caça-fantasma- Filó e Marieta
Editora Formato
- O dia-a-dia de Dadá de Marcelo Xavier- O barquinho vai de Maurício Veneza- O almoço de Mário Vale

Editora Miguilim- Outra vez - Ângela Lago

* É bom lembrar que essa lista trata de títulos mais "antigos" e há consolidados como de boa qualidade. Há vários lançamentos de diversas editoras nesse gênero, mas que precisam ser analisados de forma mais detalhada.

Visitem outros sites:
Ângela Lago: http://www.angela-lago.com.br/

Entendendo a Literatura Infantil


por Valéria de Oliveira Alves


Há uma enorme discussão entre os teóricos para entender a Literatura Infantil. A discussão passa pela conceituação, a concepção da infância e do leitor, a ligação da literatura infantil e a escola, até o caráter literário dessas obras para crianças. Os primeiros livros para crianças surgem somente no final do século XVII escritos por professores e pedagogos. Estavam diretamente relacionados a uma função utilitário-pedagógica e, por isso, foram sempre considerados uma forma literária menor. A produção para a infância surgiu com o objetivo de ensinar valores (caráter didático), ajudar a enfrentar a realidade social e propiciar a adoção de hábitos. Infelizmente, ainda podemos encontrar esses objetivos na produção infantil contemporânea. Para entender melhor essa função utilitário-pedagógica presente na literatura infatil vamos ver o que falam Maria José Palo e Maria Rosa D. Oliveira:
Dentro do contexto da literatura infantil, a função pedagógica implica a ação educativa do livro sobre a criança. De um lado, relação comunicativa leitor-obra, tendo por intermediário o pedagógico, que dirige e orienta o uso da informação; de outro, a cadeia de mediadores que interceptam a relação livro-criança: família, escola, biblioteca e o próprio mercado editorial, agentes controladores de usos que dificultam à criança a decisão e escolha do que e como ler.
Extremamente pragmática, essa função pedagógica tem em vista uma interferência sobre o universo do usuário através do livro infantil, da ação de sua linguagem, servindo-se da força material que palavras e imagens possuem, como signos que são, de atuar sobre a mente daquele que as usa; no caso, a criança.1
No Brasil, a Literatura Infantil só chegou no final do século XIX. A literatura oral prevaleceu até esse período com o misticismo e o folclore das culturas indígenas, africanas e européias.
Carlos Jansen e Alberto Figueiredo Pimentel foram os primeiros brasileiros a se preocuparem com a literatura infantil no país, traduzindo as mais significativas páginas dos hoje considerados "clássicos" para a garotada.
Com Thales de Andrade, em 1917, é que a literatura infantil nacional teve início. E foi em 1921 que nosso grande Monteiro Lobato estreou com "Narizinho Arrebitado", apresentando ao mundo Emília, a mais moderna e encantadora fada humanizada.2
No entanto, só após a década de 70 houve um grande desenvolvimento da literatura para crianças com a entrada de grandes editoras no mercado.
A produção brasileira de literatura infanto-juvenil, até a década de 70, foi esporádica, constituindo-se basicamente de traduções de clássicos e de algumas coleções estrangeiras de grande apelo comercial.3

1- PALO, Maria José e OLIVEIRA, Maria Rosa D. Literatura Infantil -Voz de Criança. São Paulo: Ática, 1986.
2- DINORAH, Maria. O livro infantil e a formação do leitor. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.
3- CUNHA, Leo. "Literatura Infantil e Juvenil". In: Formas e Expressões do Conhecimento. Minas Gerais: Ed. UFMG, 1998.

A Literatura Infantil e a Escola


Como já foi dito, os primeiros livros infantis foram escritos por pedagogos e professores com o objetivo de estabelecer padrões comportamentais exigidos pela sociedade burguesia que se estabelecia. A relação entre literatura e a escola é forte desde o início até hoje. Diversos estudiosos defendem o uso do livro em sala de aula, mas atualmente o objetivo não é transmitir os valores da sociedade e sim propiciar uma nova visão da realidade. "... a escola é, hoje, o espaço privilegiado, em que deverão ser lançadas as bases para a formação do indivíduo. E, nesse espaço, privilegiamos os estudos literários, pois, de maneira mais abrangente do que quaisquer outros, eles estimulam o exercício da mente; a percepção do real em suas múltiplas significações; a consciência do eu em relação ao outro; a leitura do mundo em seus vários níveis e, principalmente, dinamizam o estudo e conhecimento da língua, da expressão verbal significativa e consciente - condição sine qua non para a plena realidade do ser." 1
"A literatura infantil torna-se, deste modo, imprescindível. Os professores dos primeiros anos da escola fundamental devem trabalhar diariamente com a literatura pois esta se constitui em material indispensável, que aflora a criatividade infantil e desperta as veias artísticas da criança. Nessa faixa etária, os livros de literatura devem ser oferecidos às crianças, através de uma espécie de caleidoscópio de sentimentos e emoções que favoreçam a proliferação do gosto pela literatura, enquanto forma de lazer e diversão" 2
Ainda assim podemos ver o sentido pedagógico atribuído à literatura infantil (estimular o exercício da mente, despertar a criatividade...). O que importa, entretanto, é ver que o livro pode ser um objeto para que a criança reflita sua própria condição pessoal (e a imagem projetada nela pelo adulto) e a sociedade em que vive.

Citações
1 - COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, 2000. (página 16)
2 - PIRES, Diléa Helena de Oliveira. "Livro...Eterno Livro..." In: Releitura. Belo Horizonte: março de 2000, vol. 14.

Saiba mais sobre o Dia do Livro infantil:

A arte dos livros sem texto
















quarta-feira, 8 de outubro de 2008

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"Felicidade é morar numa cidade, feita do jeitinho pra gente ser feliz...."

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MINHA LINDA E ABENÇOADA FAMÍLIA!

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